quinta-feira, 5 de março de 2020

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Desempenho da indústria fabricante de máquinas e equipamentos registra queda em janeiro

A indústria de máquinas e equipamentos brasileira encerrou o mês de janeiro de 2020 com um total de faturamento de R$ 7,9 bilhões, queda de -3,6% em relação ao resultado de janeiro de 2019 (R$ 8,18 bilhões). O desempenho mais fraco foi influenciado pela piora nas vendas no mercado externo

A queda observada nas receitas líquidas totais de vendas foi a terceira consecutiva, tanto na comparação mensal como interanual. Assim, o resultado anualizado manteve a desaceleração observada durante o segundo semestre de 2019 e recuou para 0,3% em janeiro de 2020.

O desempenho das vendas no mercado doméstico, estável em relação ao mês imediatamente anterior e 6,6% superior ao resultado do mês de janeiro de 2019, anulou parte da queda observada no mercado externo, mas não interrompeu desaceleração observada no final de 2019.

As exportações de máquinas e equipamentos continuam registrando queda em 2020, impactadas por desaceleração em mercados tradicionalmente importantes.

Exportação

Em janeiro, as exportações de máquinas e equipamentos registraram forte queda, tanto em relação ao mês imediatamente anterior (-26,3%) com sobre o mesmo mês de 2019 (-26,6%) e chegaram a US$ 554,6 milhões. 

Com relação ao destino das exportações, a maior queda se deu nas vendas aos Estados Unidos (-45%), ao cair de US$ 277 milhões em 2019 para US$ 153 milhões em 2020, 62% da queda observada no período. 

A Argentina que em 2019 foi um dos principais responsáveis pela piora das exportações de máquinas e equipamentos, em 2020 apareceu contribuindo positivamente nos resultados do setor. A exportações de máquinas e equipamentos direcionadas para aquele mercado saltou de US$ 45 milhões para US$ 62 milhões, crescimento de 37%. Houve crescimento, ainda, nas exportações para os Emirados Árabes Unidos, Peru e Rússia.

A desaceleração mundial observada em 2019 em razão de diversos fatores (crise política na América do Sul, guerra comercial entre Estados Unidos e China) deverá este ano ter um complicador adicional, o surto de epidemia do coronavírus. Muitas economias importantes, incluindo o Brasil, vem sentido os efeitos da redução da demanda chinesa e, sobretudo, da paralisação na cadeia de fornecimento de diversos insumos industriais fabricados na China. Segundo a Unctad, a China é responsável por atender a cerca de um quarto das importações mundiais de insumos intermediários para a indústria de transformação, no Brasil esse percentual supera 30%.

Importação

No mês de janeiro o total das importações de máquinas e equipamentos foi de US$ 1,57 bilhão, deste 30% componentes (válvulas, transmissão mecânica, motores e outros), 20% bens para infraestrutura e indústria de base (bens sob encomenda, bens para saneamento e para cimento e mineração) e 18% bens para a indústria de transformação (bens para controle de qualidade, máquinas-ferramenta e outros).

Dentre os bens importados os que registraram a maior taxa de crescimento em relação a janeiro de 2019 foram os para infraestrutura e indústria de base, incremento de 105% ao passar de US$ 154 milhões em 2019 para US$ 317 milhões em 2020.

Consumo aparente

Após a desaceleração observada no final de 2019 os investimentos em máquinas e equipamentos, voltaram a registrar crescimento na comparação mensal, e encerraram o mês de janeiro com crescimento de 19% ante o mesmo mês de 2019. 

O consumo aparente de máquinas e equipamentos registrou crescimento acumulado nos últimos doze meses de 12,3%, interrompendo a desaceleração observada nos meses de novembro e dezembro. No mês de janeiro o crescimento foi de 19,3%, assim o consumo passou de R$ 10,93 bilhões em jan/19 para R$ 13,03 em jan/2020.

Máquinas nacionais 

O setor vê há algum tempo uma mudança na composição da participação entre as máquinas nacionais e estrangeiras, com aumento das importadas.

Máquinas importadas

Este começo de ano continua o processo de expansão das importações de máquinas e equipamentos nos investimentos do país.

Alguns fatores podem explicar este fenômeno: 1. O setor da construção civil, boa parte sob investigação das Operação Lava Jato, teve suas atividades seriamente comprometida nos últimos anos, comprometendo a saúde financeira de setores fabricantes de bens de capital para este fim; 2. Parte do crescimento foi contratado no primeiro semestre quando a sinalização era de expansão das atividades; 3. Alguns segmentos ou elos da cadeia de máquinas podem ter sido comprometidos pela extensão e profundidade da crise.

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