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Máquinas e Equipamentos
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Palavra do Presidente

Palavra do Presidente

ATÉ QUANDO?

5/11/2009

*Luiz Aubert Neto

Há anos ouvimos falar que o Brasil é o País do futuro. Só que, sinceramente, acho que a grande tarefa da nossa geração é torná-lo o Brasil do presente, para que possamos construir uma ponte bem alicerçada para as próximas gerações. Precisamos agir com sabedoria e inteligência para mudar o curso das nossas próprias histórias, sob pena de não podermos continuar olhando para o espelho e nos respeitando como cidadãos.Não podemos mais continuar omissos, sem cumprir o nosso papel social.
Como cidadãos devemos nos perguntar, sempre, até quando poderemos ouvir falar que o Brasil é o País do futuro sem fazer nada a respeito?.Até quando poderemos calar diante de tantas notícias de corrupção? Até quando poderemos conviver com as mais altas taxas de impostos e juros do mundo?
A Associação Comercial de São Paulo tem um impostômetro para fazer a população saber quanto de impostos já foram recolhidos no País. Até o final de agosto esse total havia atingido R$ 698 bilhões.
Até quando poderemos conviver com uma das mais altas cargas tributárias e, em contrapartida, conviver com um dos mais baixos índices de desempenho social?
Na educação, por exemplo, no último ranking internacional mais respeitado, os estudantes brasileiros aparecem em situações vexatórias , em 53º lugar em matemática e 52º em ciências, em uma lista que envolve 57 países. Até quando vamos aceitar essas condições de ensino no País?
Até quando vamos trabalhar quatro meses do ano para pagar impostos e termos um ensino publico de péssimo nível (Salvo raríssimas exceções)? Até quando vamos recolher alíquotas altíssimas de INSS e termos uma rede pública de saúde , onde a maioria da nossa população é pessimamente atendida? Até quando vamos disputar o nosso mercado com os concorrentes internacionais em condições totalmente desfavoráveis (tributos, juros, cambio, etc..)?
O Brasil é o único país do mundo que tributa quem investe em bens de capital (em media 30% ao longo da cadeia produtiva). Até quando vamos suportar os efeitos adversos dessa postura no dia-a-dia das nossas empresas? Até quando vamos conviver com empresas que diariamente se tornam importadoras, porque é mais fácil de sobreviver nessa condição do que como fabricantes de bens de capital?
Enquanto isso, atraímos, há décadas, o capital especulativo com as maiores taxas de juros do mundo, e somos ainda mais generosos, pois esse capital quase não é tributado!!!. Só para exemplificar, no ano de 2008, nós pagamos mais de R$ 175.000.000.000 (isso mesmo, BILHOES!!), a título de juros da dívida pública , e investimos menos de 20% desse valor em educação.Poucos sabem que a cada redução de 1% da taxa básica de juros, a famosa SELIC, o setor financeiro deixa de receber algo em torno de R$ 10.000.000.000,00 (dez BILHOES!!) de juros anuais, e ainda temos os maiores spreads bancários do mundo. Assim, fica fácil de entender quais são as forças ocultas que são a favor desse sistema que inviabiliza todo um sistema produtivo em prol do sistema financeiro. Até quando vamos aceitar isso?
Em nosso setor, especificamente, os tributos representam um terço da máquina produzida no país. Até quando poderemos conviver com isso? Até quando poderemos esperar do governo a desoneração dos investimentos?. Ou seja, que o componente imposto seja expurgado no custo dos investimentos? E sabemos que isso poderia ser feito através da compensação rápida desses impostos pelos adquirentes das máquinas. Mas até quando poderemos esperar?
Da década de 80 para cá o Brasil caiu no ranking de produtores de bens de capital .De quinto maior produtor de bens de capital do mundo caímos para a 14ª posição, porque o investimento no Brasil é muito caro. Até quando poderemos esperar por uma isonomia, que valeria também para o bem importado, para criar um clima de investimento no país.
Quando algum fabricante se torna importador está gerando emprego lá fora. Até quando vamos conviver com isso?E até quando podemos conviver com o real valorizado em relação ao dólar, que acaba inibindo o aumento das exportações e impulsionando as importações? Um exemplo claro é a China que já pulou para a terceira colocação entre os países que mais exportam para o Brasil, desbancando o Japão que passou para o quarto lugar. Até quando vamos aceitar isso? Hoje a indústria brasileira de bens de capital enfrenta seu maior desafio, que é o da sobrevivência. Houve um aumento considerável das importações, o que é bastante preocupante porque grande parte dessas importações (cerca de85%) foi de bens com tecnologia similar e até inferior aos produzidos internamente. Até quando viveremos com essa espada sobre as nossas cabeças?
Tudo isso gera uma perda enorme de competitividade e a conseqüência disso é o baixíssimo nível da taxa de investimento, sendo que nossa media nos últimos 10 anos foi de 17%, quando o ideal seria uma taxa superior a 25% (a media mundial foi de 24%), É esse investimento que gera riquezas para um País. Até quando vamos continuar com essa mediocridade?
Até quando decidirmos verdadeiramente tomarmos uma atitude e concluirmos que depende de nós. Se não conseguirmos mudar o mundo, vamos começar mudando a nós mesmos, depois a nossa família, a nossa empresa, a nossa entidade de classe e assim sucessivamente. Iremos nos surpreender com os resultados.
No momento em que toda a sociedade civil entender que temos um papel importante a desempenhar na construção da nossa história, começaremos a caminhar em alguma direção e, talvez, de maneira organizada e consciente, começaremos a mudar o destino desse País.

*Luiz Aubert Neto, é engenheiro e presidente da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas ( luiz.aubert@abimaq.org.br )





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