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Edição 20238 de 30/06/2020

Destaque

01 - Setor de máquinas agrícolas já enxerga luz no fim do túnel


Impulsionado pelo agronegócio, mais uma vez o setor de máquinas agrícolas dá mostras de sua capacidade de se destacar do panorama da indústria nacional, a exemplo do ocorrido em outros momentos de crise. Já se ouve de alguns fabricantes que a recuperação talvez seja mais rápida que a prevista anteriomente, pelo menos neste setor industrial, para esta crise provocada pela pandemia de Covid-19 .

Esta é, por exemplo, a análise de Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture, em live promovida pela Consultoria Safras, no último dia 25 de junho. “Estou bem otimista. Está melhor do que em projeções anteriores e a tendência é de recuperação mais rápida do que imaginávamos”, comentou.

De acordo com o executivo, após um período de temores, o varejo tem reagido nas vendas de máquinas e agora já estariam em patamares normais, devendo fechar 2020 no mesmo patamar de 2019. “Já o atacado enfrentou um pouco mais de dificuldades, mas também hoje vive um aquecimento e deve fechar com desempenho de 5% a 10% abaixo de 2019 neste ano de pandemia”, disse.

Os números do setor no mercado interno justificam essa postura mais otimista. Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, lembra que antes da pandemia o mercado estava bem aquecido. “Com o advento da Covid-19, houve um período de acomodação das expectativas futuras - em abril havia muita dificuldade de enxergar o real impacto da pandemia”, diz, acrescentando que “passado este período, o mercado voltou bem, considerando a enorme dificuldade de realização do processo de compra e venda com o vírus em circulação”.

Bastos lembra que o faturamento das associadas cresceu 6,5% no primeiro trimestre. “Em abril e maio as vendas caíram em torno de 10%, mas no acumulado do ano o faturamento está positivo em 2%. A perspectiva para o mês de junho também é de queda devido ao esgotamento dos recursos do Moderfrota, a principal linha de financiamento de máquinas agrícolas”.

Em sua opinião, para o segundo semestre, a perspectiva é a de um mercado normal para o período. “Não havendo grandes surpresas, o ano de 2020 deve fechar bem próximo da estabilidade, com pequenas variações de queda ou de crescimento”, disse Bastos, dias antes do anúncio do Plano Safra 2020-2021.

Opinião semelhante tinha Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea - Máquinas Agrícolas e Rodoviárias, no início de junho. “As projeções para 2020 dependem muito do Plano Safra. Nossas novas projeções serão feitas com base no anúncio do Plano, não só no que se refere às condições e volume para financiamento, mas também quando estará efetivamente operacional”, disse.

O balanço de maio do segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias, divulgado no início de junho pela Anfavea, mostra que as vendas de máquinas agrícolas no mercado interno atingiram 3,9 mil unidades em maio, o que representa alta de 23,3% na comparação com maio do ano passado e de 61% na comparação com abril. De janeiro a maio, as vendas totalizaram 15,7 mil unidades, alta de 0,9% sobre igual período de 2019.

Porém, as exportações caíram 39,4%, na comparação entre os meses de maio de 2020 e de 2019; no acumulado do ano, a queda foi de 31,1%. Esses números refletiram na produção do setor, também afetada pela paralisação das atividades nos meses de março e abril, que registra desempenho abaixo do verificado no ano anterior: - 29,5% no que se refere a maio e de - 22,5% no acumulado do ano.

PLANO SAFRA 20/21 - No dia 17 de junho o governo lançou o Plano Safra 2020/2021. Os valores e taxas de financiamento não chegaram a encantar a indústria, mas não foram de todo decepcionantes, tendo em vista o quadro atual. “Diante da conjuntura que estamos vivendo e as dificuldades orçamentárias do Tesouro Nacional por conta dos gastos inesperados que estão sendo feitos devido à crise atual, a minha avaliação é que temos um bom Plano Safra”, afirmou Wilson Vaz de Araújo, diretor do Departamento de Crédito e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em webinar promovido pela ABIMAQ.

Araújo informou que o Plano Safra contará com R$ 236,3 bilhões de recursos para crédito rural, aumento de R$ 13,5 bilhões sobre o montante do plano anterior. Desse total, para o financiamento de máquinas e equipamentos, serão destinados R$ 11,8 bilhões, sendo R$ 9 bilhões para o Moderfrota e R$ 2,8 bilhões no Pronaf Mais Alimentos. A taxa de juros do Moderfrota caiu um ponto percentual em comparação ao plano anterior, de 8,5% para 7,5%. Os financiamentos podem ser contratados de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2021.

“Nos últimos 12 meses esse segmento teve vendas da ordem de R$ 30 bilhões e estimamos que 4 milhões [de agricultores] não conseguiram ter acesso ao financiamento e financiou a juros de mercado, que é mais caro”, comentou Bastos, da Abimaq. “Além disso, o ministério está deixando de lado o grande agricultor, que ficará sujeito a juros mais altos, de mercado”, disse, acrescentando ainda o fato de que, quando se esgotam os recursos (como ocorreu este ano), “as indústrias ficam paradas e o empresário não consegue recuperar os negócios perdidos”.

Fonte: Usinagem Brasil

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02 - Bruno Galhardo, da ABIMAQ: país precisa de política industrial


Ainda baqueada pela crise de 2014, a indústria de bens de capital para o setor de óleo e gás atravessa nova baixa devido à pandemia de Covid-19. Em entrevista ao PetróleoHoje, o recém-nomeado presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore e Onshore da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSENO/Abimaq) e gerente de Marine & Offshore da Roxtec Latin America, Bruno Galhardo, analisa o futuro do setor, a política de conteúdo local e as oportunidades que surgem a partir dos descomissionamentos antecipados.

Como o senhor avalia o cenário para a construção naval offshore em meio às reduções de investimentos por parte das petroleiras?

O mercado de construção naval no Brasil foi fortemente atingido pela pandemia de Covid-19 e a redução no preço do barril do petróleo. O mercado já vinha cambaleando devido à falta de leilões de anos anteriores, mas via sinais de recuperação nos últimos anos com a vinda de grandes IOCs e crescente investimento da Petrobras em exploração. De alguns anos para cá, o mercado de construção concentra-se na fabricação de módulos, integração e comissionamento, já que a grande maioria dos projetos teve sua efetiva construção na China. Praticamente um terço de todos os FPSOs operando no mundo estão no Brasil (cerca de 50). Isso mostra a força e a relevância do país nesse mercado, e a perspectiva é que os investimentos sejam retardados, mas não cancelados.

Qual a situação atual das associadas da ABIMAQ? Houve redução de postos de trabalho e queda nas receitas?

Em abril, a indústria de máquinas e equipamentos registrou queda de 27% em seu faturamento. Isso anulou todo o crescimento acumulado pelo setor no primeiro trimestre de 2020, que passou a acumular queda de 6,5%, em relação ao mesmo período de 2019. De acordo com consultorias internacionais, a demanda global por serviços de campos petrolíferos (oilfield services – OFS) cairá 25% este ano, e já sentimos o crescente número de demissões, principalmente em empresas prestadoras de serviços. Outro ponto preocupante diz respeito à hibernação de 62 plataformas da Petrobras. Isso foi um baque grande, pois a venda de peças e serviços ajudam a movimentar a já combalida indústria de óleo e gás. Nossa visão é que o momento, agora, é de reavaliação dos projetos e enxugamento de custos, principalmente pelo fomento a atividades remotas e home-office, visando à preservação dos empregos.

Que medidas as associadas estão tomando para se recuperar? Há algum tipo de auxílio governamental ou incentivo via BNDES?

Como incentivos do governo, destaco a possibilidade de suspensão do funcionário por pelo período de 90 dias, com parte dos salários pagos pelo governo e estabilidade por igual período após o retorno e possibilidade de negociação para redução de carga horária/salário. Isso foi visto com bons olhos pelo empresariado, pois diminui o desemprego. O BNDES expandiu a oferta de capital de giro para empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões e intensificou o crédito a cadeias produtivas em que a grande empresa atua como âncora, repassando o crédito às empresas menores, com taxas menores. Contudo, diante do cenário de crise, acreditamos que, além das medidas internas adotadas pelas empresas, como a redução de custos, a indústria necessita de políticas públicas de curto prazo para minimizar os impactos sobre a demanda e a oferta mencionados, ou seja, ações que envolvem crédito, carga tributária, infraestrutura, governança da cadeia produtiva, gestão de custos e questões trabalhistas.

Em 2016, a dívida de especialistas contratados pela Petrobras com as associadas da Abimaq chegou a mais de R$ 500 milhões. Esses débitos ainda existem? Qual a situação das negociações?

Não posso responder por todas as empresas que estavam passando por essa situação, mas sei muitas ainda não receberam, inclusive a minha. Buscamos acordos judiciais para viabilizar os pagamentos, mas, mesmo assim, o passivo ainda existe. Muitas empresas optaram por lançar perda contábil e “esquecer” o assunto, após incansáveis tentativas de negociação. Certamente isso deixou uma imagem péssima para o setor e bastante descontentamento para a cadeia de fornecimento nacional e para as matrizes estrangeiras, no caso de empresas multinacionais.

A flexibilização das regras de conteúdo local nos últimos anos afetou a indústria?

Com certeza traz prejuízos à indústria nacional, deixando latente que o Brasil não é competitivo, por diversos aspectos. Defendo fortemente que uma política de conteúdo local seja implementada com início e fim pré-determinados. E que, nesse período, outras ações sejam tomadas para que, após finda essa fase, a indústria não precise mais de conteúdo local para se fazer presente e competitiva nacional e internacionalmente. A reforma tributária seria o maior dos desafios a serem vencidos para o fortalecimento da indústria nacional.

Não há dúvida de que temos empresas preparadas para desenvolver qualquer projeto no Brasil, como empresas de engenharia, especialistas, estaleiros, entre outros.

O senhor acredita na implementação de políticas de conteúdo local pelo governo ou outras medidas que possam estimular a indústria nacional?

A palavra da moda é “economicidade”. Não vejo que a simples implementação de conteúdo local seja uma solução perene. Para que o modelo funcione, atrelada a ela é preciso existir uma política forte para que nossa indústria local seja competitiva de verdade, criando condições para que sejamos relevantes inclusive no mercado externo. O que se deve perceber é como transformar a construção nacional “economicamente atrativa” para as NOCs e IOCS. Vivemos em um mundo globalizado, e há enorme competição em todos os segmentos da cadeia. EVTEs [estudos de viabilidade técnica e econômica] são cada vez mais relevantes para tomada de decisão. Países asiáticos têm custo de mão de obra e matéria prima muito mais baratos que nós, sem falar no custo tributário.

A ABIMAQ discute ações para fomentar as atividades industriais associadas à indústria de óleo e gás?

Sim, esse é um papel muito importante da Abimaq e do Conselho de Óleo e Gás, em seu comitê tributário. Atualmente o conselho trata de questões que envolvem o Repetro-Industrialização e o Recof [ Regime de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado], além de dar suporte aos associados nos contratos de fornecimento à Petrobras durante a pandemia e fortalecer a política de conteúdo local junto à ANP. A Abimaq também defende, no âmbito legislativo, ações de política pública para fortalecimento de todos os segmentos industriais brasileiros.

A crise pode acelerar atividades de descomissionamentos offshore. Os estaleiros brasileiros estão preparados para receber essa demanda?

Esse é um mercado muito interessante para um nicho da cadeia, principalmente os estaleiros e empresas de serviço, que, pelo que percebo, já estão se preparando. Estimam-se mais de R$ 26 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos na contratação de serviços para arrasamento e abandono de poços, retirada de equipamentos e recuperação de áreas, entre outros. Instituições de referência no assunto, como a Sobena [Sociedade Brasileira de Engenharia Naval], da qual sou membro, desenvolvem estudos sobre o tema e farão webinars para elevar o nível da discussão.

Como o senhor avalia as novas regras de descomissionamento publicadas pela ANP?

A resolução ANP 817/2020 [que dispões sobre o descomissionamento de instalações de E&P] é um marco para a indústria, pois a modernização e a simplificação dos procedimentos proporcionarão oportunidades de novos negócios e mais investimentos no país. Acredito que existam muitas questões técnicas que ainda precisam ser debatidas e entendidas, principalmente com relação aos equipamentos subsea e à deterioração dos materiais no longo prazo. O grande desafio das empresas será a criação e adequação ao PDI (Plano de Descomissionamento de Instalações) único para ANP, Marinha e Ibama, pois existe um custo para a empresa se adequar às regras, e em contrapartida, é necessária uma previsão de receita que justifique tais investimentos. Outro ponto diz respeito ao correto entendimento ambiental, pois o conceito de descomissionamento engloba a destinação ambientalmente adequada de materiais, resíduos e rejeitos, além da recuperação ambiental da área e, ao meu ver, ainda não há profundo conhecimento sobre todas as variáveis ambientais envolvidas.

Fala-se muito sobre a necessidade de automação nas atividades industriais, evidenciadas pelas medidas de isolamento social e redução de efetivo em razão da pandemia. Como o senhor vislumbra o futuro da indústria de equipamentos navais e offshore?

Hoje vivemos uma “guerra” contra a Covid-19 ,e o lado positivo disso tudo é que descobrimos que é possível trabalhar remotamente, com a tecnologia que usávamos antes. A tão comentada indústria 4.0 já é uma realidade, e a convergência IT/OT [Tecnologias da Informação/ Tecnologias de Operação] estão sendo aplicadas a diversos campos industriais e estão cada vez mais presentes no mercado offshore. Outros assuntos estão vindo à tona no Brasil, como projetos de eólica offshore e conversão de navios em SOVs [embarcações de serviços de operação] para atendimento desses projetos, bem como investimentos em captura e armazenamento de carbono (CCS). As empresas que já enxergaram isso e estão se mexendo rapidamente. Vejo com bons olhos os desafios que empresas lançam para que startups possam apresentar soluções inovadoras; estamos democratizando o acesso à tecnologia. O grande risco que vejo são para as empresas e profissionais que não se adaptarem à nova realidade, pois isso certamente os levará a obsolescência.

Fonte: Brasil Energia

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03 - A indústria precisa ser priorizada


A pandemia da Covid-19 impactou fortemente a indústria brasileira; em um momento onde começava a apresentar sinais de recuperação. Analisando o resultado da pesquisa "Indicadores Conjunturais da Indústria Brasileira de Máquinas e Equipamentos" referente ao mês de abril de 2020, juntamente com os dados da sondagem realizada no nosso setor sobre os impactos da Covid-19, os números deste mês vieram fortemente influenciados pelas restrições impostas pela pandemia.

Em abril/2020 a indústria de máquinas e equipamentos registrou queda de 27% no seu faturamento. Isto anulou todo o crescimento acumulado pelo setor no primeiro trimestre de 2020 que passou a acumular queda de 6,5%, em relação ao mesmo período de 2019.

O recuo ocorreu tanto nas vendas realizadas no mercado interno (-28,5%) quanto no mercado externo (-41,6%) na análise interanual.

A sondagem que fizemos no início do mês de maio, no entanto, revelou que as empresas têm observado restrições de abastecimento, mas que este não é o fator preponderante para a redução da atividade durante este período de quarentena.

O que tem levado alguns fabricantes de máquinas e equipamentos a paralisarem ou reduzirem suas atividades são outros fatores: cancelamento ou adiamento de projetos de investimento unilateralmente por parte dos seus clientes em razão da incertezas de ordem política e econômicas e a restrição da mão de obra em razão das políticas de afastamento adotadas pela própria empresa.

Diante deste cenário de crise, acreditamos que além das medidas internas adotadas pelas empresas, a indústria necessita de políticas públicas de curto prazo para minimizar os impactos sobre a demanda e a oferta mencionados, ou seja, ações que envolvem crédito, carga tributária, infraestrutura, governança da cadeia produtiva, gestão de custos e questões trabalhistas.

Com relação às políticas de longo prazo destacamos os seguintes desafios estruturais pelo lado da demanda: estabelecer dinâmica de crescimento sustentável, manter e criar empregos, políticas fiscais e tributárias harmonizadas com políticas monetárias, regime macroeconômico coerente com desenvolvimento. Do lado da oferta, para além de reduzir o Custo Brasil necessitamos de descentralizar o sistema financeiro, melhorar o suporte às pequenas e médias empresas, desonerar o investimento produtivo, financiar a modernização do maquinário nacional, reduzir burocracia, financiar as exportações e fortalecer o sistema nacional de inovação tecnológica.

Em contrapartida, a pandemia também revelou um lado positivo da indústria, a capacidade de responder rapidamente às dificuldades enfrentadas, o que poderá levar a uma transformação digital sem precedentes e sem volta. Uma tratativa inteligente da crise requer soluções ágeis e embasadas que prezem pelo entendimento entre funcionários, clientes, fornecedores e demais agentes da cadeia produtiva. Junto a sociedade, uma cooperação em torno de um objetivo comum de superação das dificuldades sanitárias, econômicas, políticas e sociais. Que estes aprendizados se multipliquem e orientem a nossa retomada pós pandemia.

Porque será necessário, findada a crise, estimular a demanda. Dificilmente este papel será exercido pelo setor privado após longo período de descapitalização.

O Governo precisará urgentemente retomar os investimentos públicos nas obras de infraestrutura, que estão paradas deste o início da crise da “Operação Lava Jato”, priorizando aquelas que já não dependem mais de projetos ou de licenciamentos. Também precisará priorizar a aprovação do Marco do Saneamento e do novo Marco Legal das PPP e concessões públicas para abrir espaço a iniciativa privada investir.

São medidas que, se bem coordenadas, poderão garantir a sustentabilidade das empresas e famílias durante a crise e alavancar os investimentos intensamente, tão logo a crise chegue ao fim.

João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ.

Fonte: Ubaweb

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Comércio Internacional

01 - Dólar opera em alta no último pregão do mês, com temores sobre nova onda de coronavírus


O dólar opera em alta nesta terça-feira (30), no último pregão de junho, caminhando para alta acumulada de quase 2% no mês, diante de temores sobre uma segunda onda de Covid-19 e tensões entre Estados Unidos e China.

Às 10h20, a moeda norte-americana subia 0,92%, vendida a R$ 5,4755. Veja mais cotações.

Na véspera, a moeda norte-americana recuou 0,64%, a R$ 5,4258. Na parcial do mês, o avanço da moeda norte-americana é de 1,68% até segunda. No acumulado de 2020, a alta está em 35,31%.

O Banco Central ofertará nesta terça-feira até 12 mil contratos de swap tradicional com vencimento em novembro de 2020 e março de 2021.

Cenário local e externo

O sentimento de risco dos mercados globais piorava nesta terça-feira, com dados pessimistas de grandes economias da Europa minando as esperanças sobre uma rápida recuperação econômica global diante da crise do coronavírus, destaca a Reuters.

Os números sombrios eram agravados por temores sobre uma segunda da doença, que poderia forçar a volta de lockdowns prejudiciais.

O número de casos nos Estados Unidos, principalmente, "agrava as preocupações do mercado sobre o risco de as autoridades terem que voltar atrás no processo de reabertura dos negócios", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.

Ainda no radar dos investidores, o Parlamento da China sancionou uma lei de segurança nacional para Hong Kong nesta terça-feira, medida que tende a gerar resposta norte-americana, despertando incertezas sobre o futuro do acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Segundo Rostagno, o pessimismo compensava dados promissores da China, cuja atividade industrial cresceu a um ritmo mais forte em junho depois que o governo suspendeu restrições e ampliou o investimento.

Fonte: G1

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Conjuntura

01 - Confiança de serviços sobe pelo 2º mês seguido e recupera parte das perdas de março e abril


O Índice de Confiança de Serviços (ICS), da Fundação Getulio Vargas, subiu 11,2 pontos em junho, na segunda alta seguida, alcançando 71,7 pontos. Apesar de ter acumulado 20,6 pontos em dois meses, o índice recuperou apenas 48% das perdas sofridas no bimestre março-abril.

“Apesar da expressiva alta de junho, é preciso cautela porque a base de comparação é muito baixa. Outro ponto a ser considerado é a dinâmica dessa recuperação, ainda muito mais influenciada pela melhora das expectativas com os próximos meses. O pior momento parece estar ficando para trás, mas a elevada incerteza deixa o cenário de retomada ainda sem precisão”, avaliou Rodolpho Tobler, economista da FGV IBRE.

O Índice de Situação Atual (ISA-S) subiu 7,0 pontos, para 64,0 pontos, ainda assim fechando o semestre com perda de 28,9 pontos no ano. O Índice de Expectativas (IE-S) cresceu 15,1 pontos, para 79,8 pontos, e mesmo acumulando 32,5 pontos de crescimento nos meses de maio e junho, isso não foi suficiente para retornar ainda ao nível pré-pandemia.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) do setor de serviços diminuiu 0,8 ponto percentual para 77,2%, atingindo um novo mínimo histórico da série iniciada em abril de 2013. Contudo, a queda nesse mês foi inferior às apresentadas em abril (-3,5 p.p.) e em maio (-1,5 p.p.).
"A recuperação dos dados mensais mostra que o terceiro trimestre pode ser menos negativo do que se observou neste último trimestre", destacou a FGV.


Fonte: G1

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Industria

01 - Desemprego sobe para 12,9% em maio e país tem tombo recorde no número de ocupados


A taxa oficial de desemprego no Brasil subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio, atingindo 12,7 milhões de pessoas, e com um fechamento de 7,8 milhões de postos de trabalho em relação ao trimestre anterior. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) divulgada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa uma alta de 1,2 ponto percentual na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro (11,6%) e de 0,6 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre de 2019 (12,3%).

Dessa forma, o número de pessoas na fila por um emprego teve aumento de 3% (368 mil pessoas a mais) frente ao trimestre móvel anterior (12,3 milhões de pessoas) e ficou estatisticamente estável frente a igual período de 2019 (13 milhões de pessoas).

Trata-se da maior taxa de desemprego desde o trimestre terminado em março de 2018, quando foi de 13,1%. E o desemprego só não tem sido maior porque muita gente simplesmente deixou de procurar trabalho em meio à pandemia de coronavírus.

Além do impacto na taxa de desemprego, a crise da Covid-19 e o cenário de recessão também tiveram forte impacto na ocupação, informalidade, desalento e população subutilizada.

Principais destaques da pesquisa do IBGE:

País perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho em 3 meses
Dos 7,8 milhões de ocupados a menos, 5,8 milhões eram informais
Queda de 2,5 milhões de empregados com carteira assinada
Queda de 2,4 milhões de trabalhadores sem carteira assinada
Queda de 2,1 milhões de trabalhadores por conta própria
Ocupação no mercado de trabalho atingiu o menor nível histórico
Pela 1ª vez, menos da metade da população em idade de trabalhar está ocupada

População ocupada tem queda recorde

A população ocupada no país teve queda recorde de 8,3% (7,8 milhões de pessoas a menos) em 3 meses e encolheu para um total de 85,9 milhões de brasileiros. Na comparação com maio do ano passado, a queda também foi recorde, de 7,5% (7 milhões de pessoas a menos).

“Tudo indica que, de fato, essas pessoas que perdem a ocupação não estão voltando para o mercado de trabalho na forma de procura por nova ocupação. Ou seja, sem pressionar o desemprego”, acrescentou.

Pela primeira vez, menos da metade das pessoas em idade de trabalhar está ocupada. Em 3 meses, o recuo chegou a 5 pontos percentuais, atingindo 49,5% – mais baixo nível desde o início da pesquisa, em 2012.

“Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar está trabalhando. Isso nunca havia ocorrido na PNAD Contínua”, destacou Beringuy.

5,4 milhões de desalentados

A população desalentada (pessoas que desistiram de procurar emprego) bateu um novo recorde, somando 5,4 milhões, com alta de 15,3% (mais 718 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e de 10,3% frente a igual período de 2019.

Emprego formal e informal desabam

O número de empregados com carteira de trabalho assinada caiu para 31,1 milhões, menor nível da série. O número representa um recuo de 7,5% (menos 2,5 milhões de pessoas) na comparação com o trimestre anterior e queda de 6,4% (menos 2,1 milhões de pessoas) na comparação anual.

Já os sem carteira assinada totalizaram (9,2 milhões de pessoas), com uma redução de 20,8% (menos 2,4 milhões de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 19% na comparação anual.

O número de trabalhadores por conta própria caiu para 22,4 milhões de pessoas, uma redução de 8,4% frente ao trimestre anterior e de 6,7% frente a igual período de 2019.

O número de trabalhadores domésticos teve uma queda de 18,9% (menos 1,2 milhão de pessoas) em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.

Comércio lidera perda de vagas

O único grupamento de atividade que teve aumento no número de ocupados foi o de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que cresceu 4,6% em 3 meses. Isso significa um aumento de 748 mil pessoas no setor.

O que apresentou a maior queda em relação ao número de pessoas ocupadas foi o comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-11,1%), com menos 2 milhões de empregados. Já a indústria perdeu 1,2 milhão de pessoas (-10,1%), serviços domésticos 1,2 milhão de pessoas (18,7%) e construção, 1,1 milhão (-16,4%).

Informalidade em queda, mas isso não é necessariamente bom.

A taxa de informalidade da economia recuou para 37,6% da população ocupada, a menor desde 2016, quando o indicador passou a ser produzido, reunindo 32,3 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,6% e no mesmo trimestre de 2019, 41,0%.

Os trabalhadores informais somam os profissionais sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores e por conta própria) e sem remuneração.

“Numericamente nós temos uma queda da informalidade, mas isso não necessariamente é um bom sinal. Significa que essas pessoas estão perdendo ocupação e não estão se inserindo em outro emprego. Estão ficando fora da força de trabalho”, afirmou a pesquisadora.

Com a redução no número de trabalhadores informais, grupo que geralmente ganha remunerações menores, o rendimento médio teve aumento de 3,6%, chegando a R$ 2.460, o maior desde o início da série. Já a massa de rendimento real foi estimada em R$ 206,6 bilhões, uma queda de 5% frente ao trimestre anterior.

Impactos da crise

Na véspera, o Ministério da Economia divulgou que o país fechou 331.901 vagas com carteira assinada em maio, elevando a 1,487 milhão o número de postos de trabalho formais eliminados desde março.

Outro levantamento divulgado na semana passada pelo IBGE mostrou que, entre os dias 3 de maio e 6 de junho, aumentou em cerca de 1,4 milhão o número de desempregados no país, a maioria no Sudeste.

Em meio a um cenário de recessão e previsão de tombo do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020, o Ibre/FGV projeta que a taxa média de desemprego em 2020 deva atingir 18,7%.

Fonte: G1

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Setor

01 - Contas do setor público têm déficit de R$ 131,4 bilhões em maio, pior resultado da história, diz BC


As contas do setor público consolidado, que englobam o governo federal, estados, municípios e empresas estatais, registraram um déficit primário de R$ 131,4 bilhões em maio, de acordo com informações divulgadas nesta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC). Esse é o pior resultado para qualquer mês desde o início da série histórica do BC, que começou em dezembro de 2001.

O déficit significa que as despesas do setor público superaram as receitas com impostos e contribuições. Esse valor não contabiliza as despesas com juros da dívida pública.

O mês de abril já havia apresentado resultado negativo nas contas públicas – um rombo de R$ 94,3 bilhões – refletindo os efeitos da pandemia de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Os efeitos se intensificaram em maio, com queda na arrecadação e aumento dos gastos.

No acumulado do ano até maio, as contas do governo apresentaram déficit primário (sem considerar pagamento de juros da dívida) de R$ 214 bilhões. No mesmo período, em 2019, foi registrado um superávit de R$ 7 bilhões.

Para 2020, havia uma meta de déficit para o setor público (despesas maiores que receitas) de até R$ 118,9 bilhões. Entretanto, com o decreto de calamidade pública, proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso Nacional por conta da pandemia, não será mais necessário atingir esse valor.

A Secretaria do Tesouro Nacional estima que o rombo nas contas do setor público consolidado deverá somar 708,7 bilhões em 2020, ou 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Se confirmado, esse será o maior valor da série histórica do BC, iniciada em 2001.

Dívida bruta

A dívida bruta do setor público, uma das principais formas de comparação internacional (que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais), subiu em maio. O indicador é acompanhado mais atentamente pelas agências de classificação de risco. 

A dívida, que estava em 79,7% do PIB em abril, ou R$ 5,81 trilhões, avançou para R$ 5,9 trilhões (81,9% do PIB) em maio deste ano, segundo números do Banco Central.

Fonte: G1

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