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Edição 22284 de 08/04/2021

Destaque

01 - Máquinas – Dólar caro favoreceu vendas de nacionais – Perspectivas 2021


Nem a Covid-19, nem as persistentes dificuldades da economia nacional, impediram a indústria brasileira de máquinas e equipamentos de expandir sua receita em pouco mais de 5% no decorrer de 2020, relativamente ao ano anterior (veja tabela com os destaques setoriais). Índice, inclusive, bem superior aos 0,7% de 2019 e devido principalmente aos negócios no mercado interno que, favorecidos pelo fechamento das fronteiras dos países após o surgimento da pandemia e pelo alto valor do dólar, elevaram-se 11%, crescendo mais acentuadamente em segmentos como máquinas para o setor agrícola, infraestrutura, embalagens de produtos de consumo direto e indústria farmacêutica.

A Abimaq –Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos projeta expansão algo maior para este ano, exatamente de 6,9% nas vendas, com incremento de 4,9% na produção. `Elevarão mais acentuadamente sua demanda o setor agro, a mineração, obras públicas e construção, indústrias de embalagens e de alimentos`, projeta José Velloso, presidente-executivo da entidade.

Entre as causas da expansão da demanda nacional por máquinas, Velloso inclui as reduzidas taxas de investimento do país: `para o Brasil crescer de forma sustentável 3,5 ou 4% ao ano, a taxa de investimentos deveria ser de pelo menos 24%; nos últimos anos, ela ficou entre 15% e 15,5%`, observa.

Para que suas expectativas se realizem, o dirigente da Abimaq solicita a implementação de iniciativas capazes de elevar a competitividade da indústria brasileira. Caso, entre outros, das debatidas reformas tributária e fiscal. `Também precisam avançar os marcos regulatórios que garantam maior segurança ao investimento em setores como energia, gás, saneamento, PPPs, licitações e concessões públicas`, complementa.

Machado: óleo mais caro vai reativar planos de exploração

Óleo e gás – A elevação, após as acentuadas quedas do ano passado, nas cotações do petróleo no mercado internacional – no fim de janeiro, ficaram próximas US$ 55 por barril – estimulará a demanda por equipamentos e máquinas destinados ao setor de O&G neste ano de 2021, crê Alberto Machado, diretor de Petróleo, Gás, Bioenergia e Petroquímica da Abimaq. `Há uma tendência de viabilização de blocos exploratórios que não seriam viáveis com as cotações praticadas em 2020`, calcula.

Mas as perspectivas da indústria nacional de máquinas para O&G seriam ainda melhores, ressalta Machado, `não fossem as sensíveis reduções nos índices de conteúdo local levadas a efeito pelo governo nos anos de 2017e 2018`. Reduções, ele lamenta, que associadas aos fatores que oneram a produção local hoje estimulam empresas até a preferirem pagar multa caso ultrapassem algum limite de conteúdo importado, pois mesmo assim obterão vantagens financeiras. `Não tenho dúvidas: a demanda por equipamentos para O&G logo estará nos patamares pré-crise, talvez até um pouco superiores. A dúvida é se a indústria nacional conseguirá atender a essa demanda`, pondera Machado.

Nascimento: venda de ativos da Petrobras estimula negócios

Para Idarilho Nascimento, presidente do Conselho de Óleo e Gás da Abimaq, essa demanda será ainda mais favorecida pelo processo de desinvestimento hoje implementado pela Petrobras, que vem se desfazendo de vários ativos, entre eles, campos de exploração onshore e agora trabalha na venda de refinarias. `A Petrobras está se concentrando no pré-sal, que gera retornos financeiros maiores. Mas esse desinvestimento atrai players menores, mais adequados aos volumes de produção onshore, e que já estão investindo nas áreas recém-adquiridas`, detalha Nascimento.

Também impactará positivamente o setor a finalização do processo de aprovação da Nova Lei do Gás, que ele espera ocorrer brevemente. `Ela reduzirá o preço do gás, tornando essa indústria mais competitiva e atraindo novos players`, argumenta Nascimento.

Em 2020, como relata, em grande parte do ano a indústria nacional de máquinas e equipamentos para O&G viveu basicamente de negócios destinados à manutenção e apenas no último trimestre teve início uma `leve retomada` da demanda relacionada a novos investimentos. `Mas tenho bastante esperança: hoje em dia fala-se muito em energia limpa, mas por um bom tempo o petróleo ainda terá valor relevante`, confia Nascimento. `E as empresas fornecedoras dessa indústria também começam a olhar para os mercados da energia limpa, até porque em muitos casos eles usam os mesmos equipamentos, como válvulas e bombas`, acrescenta.

Fonte: Plástico Moderno, News Quimiweb

Índice

02 - Competitividade e Custo Brasil: desafios muito além de máquinas e equipamentos


José Velloso Dias Cardoso é graduado em engenharia mecânica pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Em 1989, formou-se em administrador de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e nesta mesma instituição concluiu seu mestrado em finanças e marketing.

Iniciou sua atividade profissional em 1984, como executivo da empresa Voith SA Máquinas e Equipamentos. Em 1992, assumiu a diretoria da empresa Power Transmissores Industriais do Brasil S/A (PTI), permanecendo até 2013.

Paralelamente, foi nomeado vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq/Sindimaq) de 1998 a 2007 e 1º vice-presidente de 2007 a 2013 – além de ocupar os cargos de diretor eleito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); membro do Conselho Deliberativo da Investe SP – Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade; membro do Conselho Deliberativo da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip); membro do Fórum Nacional da Indústria da CNI; e membro do Conselho Superior da Funcex.

Em 2013, assumiu a presidência executiva da Abimaq, entidade representativa da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, setor composto de cerca de 8 mil empresas que, no seu conjunto e apesar da atual crise econômica, produziram, em 2020, bens em valor superior a R$ 144,5 bilhões, exportaram US$7,3 bilhões, empregando 326 mil trabalhadores altamente qualificados.

PERGUNTAS

1. Qual a importância e representatividade do setor de máquinas e equipamentos no momento para o Brasil?

Entre os países em desenvolvimento e economias industriais emergentes, o Brasil é o segundo maior produtor de máquinas e equipamentos. Conforme dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), o setor fabricante de máquinas e equipamentos, excluindo os veículos automotores, caminhões, ônibus, plataformas, navios e aeronaves, conta com quase 48 mil empresas – 28% da Indústria de Transformação do país –, distribuídas majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste.

O setor se destaca pelo seu papel como difusor de progresso técnico ao estar presente em todas as cadeias produtivas da economia. Sua presença aumenta consideravelmente os efeitos de encadeamento, ampliando o mercado interno e, consequentemente, o potencial de geração de emprego qualificado e renda. O setor fornece para toda a economia com destaque para indústria, agricultura, infraestrutura, produção mineral e óleo & gás.

2. Quanto ao progresso técnico, qual o significado da inovação para o setor?

A indústria de máquinas e equipamentos é o difusor de novas tecnologias para todos os demais setores econômicos, portanto, a inovação está no DNA do setor. Com o advento da Indústria 4.0 essa importância fica ainda maior, porque é a partir da comunicação máquina a máquina, da coleta de dados nas linhas de produção, da automação que se viabiliza a grande transformação digital em todos os setores. É a inovação em máquinas agrícolas que viabilizou, em outros fatores, a revolução da produtividade agrícola e a agricultura de precisão, por exemplo. Do setor químico ao têxtil, do setor de construção civil à mineração, da infraestrutura portuária à exploração de petróleo. Em todos os setores econômicos para que se desenvolvam em seus produtos e processos, estamos falando em inovação em máquinas e equipamentos.

3. No tocante ao futuro, tanto no mercado interno, quanto no externo, quais as oportunidades existentes num cenário pós-covid?

A pandemia da Covid-19 trouxe algumas oportunidades relacionadas a negócios e investimentos na área de saúde, médico-hospitalares, telemedicina, e-commerce, novos formatos de logística, teletrabalho (home office), novas formas de intermediação e de comunicação, 5G, automação, Indústria 4.0, serviços delivery, inteligência artificial entre muitas outras, que certamente ganharão ainda mais protagonismo em razão da reorganização do mercado de consumo e da forma de produção. Sob a perspectiva do comércio global, a atual crise impôs como desafio garantir que os serviços de transporte, os portos e as alfândegas permanecessem operacionais e tivessem suas capacidades de operação efetivamente asseguradas. A necessidade de fazer frente a essas dificuldades levou a um aumento expressivo de medidas de facilitação do comércio, visando à celeridade do despacho aduaneiro e ao trânsito de mercadorias. Caso essas tendências sejam consolidadas no pós-pandemia, poderá ser observada uma aceleração do processo de convergência nos controles e procedimentos relacionados às operações de comércio exterior. Isso certamente pode trazer benefícios ao setor produtivo pela redução dos custos de transação por meio da simplificação e desburocratização dos procedimentos.

4. Para competir aqui no Brasil e no exterior, competitividade, produtividade e lucratividade são fundamentais. A partir dessa afirmação, qual a visão do setor sobre:
Competitividade, e quais os desafios a serem superados?

A Abimaq monitora há décadas as assimetrias impostas pelo Custo Brasil ao produtor nacional. Mas dentre as inúmeras relacionadas, três delas representam cerca de 80% do problema e precisam ser priorizadas para que o produtor nacional possa ser mais competitivo – estamos falando de assimetrias entre se produzir no Brasil e na Alemanha. O custo das matérias-primas é um dos fatores que mais pesam entre os dimensionados, pois nossos concorrentes no exterior acessam suas matérias-primas com valores de 30% a 60% mais baixos que os fabricantes no Brasil, em razão das elevadas tarifas de importação; o custo do capital (de giro e para investimentos) é outro fator que pesa no processo de produção e comercialização do bem, a queda da taxa básica de juros, Selic, aos atuais níveis diminuiu o diferencial de custo do dinheiro, mas as taxas de juros ao tomador final continuam elevadas; outro componente do Custo Brasil, que tira parte importante da competitividade do bem nacional, é o sistema tributário que onera a produção de todos os elos da cadeia produtiva. A Reforma Tributária é uma das principais formas de tornar o país mais produtivo, confiável e seguro, atraindo assim investimentos internos e externos. Seus resultados podem ser traduzidos em cinco palavras: simplificação, equidade, neutralidade, transparência e justiça. A Abimaq defende a urgência de se realizar essa reforma. Para tornar o tema acessível a toda a sociedade, nós criamos uma campanha que pode ser acessada em http://reformatributaria.abimaq.org.br. Os benefícios serão muitos, entre eles, desoneração dos investimentos e das exportações, resultando em uma melhora da nossa competitividade para a inserção do Brasil nas Cadeias Globais de Valor (CGVs). Além de estratégias para a melhoria do ambiente de negócios do país, a redução nos custos de operações de comércio exterior pela simplificação de procedimentos relacionados a esta área é um elemento central para o incremento da competitividade do setor produtivo.

Produtividade, e como identificar e remover obstáculos?

A melhoria da produtividade do trabalho deriva de diversas ações isoladas ou combinadas, dentre elas, qualificação da mão de obra, modernização e ampliação do estoque de capital, readequação das estruturas produtivas tornando-as mais enxutas, melhora na gestão. Mas um salto importante ocorre exclusivamente pelo aumento do estoque de capital fixo por operário. O Brasil vem há anos reduzindo o seu nível de investimento; atualmente a formação bruta não é suficiente para substituir o capital depreciado, refletindo em reduções do estoque e, consequentemente, da produtividade. Outra razão importante é o elevadíssimo custo de capital para investimentos no Brasil.

Lucratividade, e como contribuir para a redução do Custo Brasil de maneira sustentável?

O primeiro passo para a redução do Custo Brasil foi dado quando a Secretaria de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia reconheceu e quantificou todas as assimetrias que anulam a competitividade da indústria nacional e, por meio de um decreto, se comprometeu com a sua redução. Os passos seguintes precisam ir na direção da eliminação dos problemas abrangentes e de maior peso. Serão necessárias reformas estruturantes. O Executivo precisa dar prioridade a esta agenda.

5. Como enfrentar a concorrência externa em um cenário internacional cada vez mais complexo, com financiamentos e subsídios variados?

No plano da competitividade no mercado internacional, marcado pela ampla utilização de políticas industriais de incentivos por importantes concorrentes do Brasil e diante de um quadro no qual muitos destes países podem contar com financiamentos a juros competitivos, é necessário que sejam mobilizados esforços para a estruturação de um sistema oficial de apoio às exportações efetivo. Além das questões sobre a garantia de recursos para este sistema, existe o desafio de ampliar o acesso a mecanismos de financiamento e seguros, sobretudo para as pequenas e médias empresas. É necessário um aperfeiçoamento desse mecanismo, conferindo aos processos de financiamento e garantias a transparência e previsibilidade que lhe é devida para assegurar as operações de comércio exterior – tema negligenciado e que parece não estar nas prioridades. No plano interno, fazer face a políticas de incentivos industriais requer o fortalecimento de mecanismos de combate a práticas desleais de comércio ou a eventuais surtos de importação que comprometam o equilíbrio do mercado nacional. Para isso, devem estar à disposição dos produtores nacionais instrumentos sólidos de defesa comercial, com procedimentos e metodologias que viabilizem o acesso aos instrumentos de defesa comercial também às indústrias fragmentadas, como as do setor de máquinas e equipamentos. Este setor não conta com nenhuma medida antidumping por conta da burocracia, o alto nível de exigências e pelos elevados custos envolvidos no processo.

6. Para vender máquinas e equipamentos, é preciso oferecer ao comprador financiamento, garantias e seguros.

Para vender para o mercado interno, qual o cenário atual?

Financiamento é parte do preço da máquina em qualquer economia. No Brasil, nos últimos anos, com as taxas de juros de longo prazo para financiamento do ativo fixo acompanhando as taxas de retorno dos investimentos em títulos públicos, a opção foi, para as empresas com elevado capital próprio, financiar suas vendas, assumindo todos os riscos inerentes ao negócio. O resultado da pesquisa de “Radiografia do Financiamento para Comercialização de Máquinas e Equipamentos” realizada pela Abimaq, no período de 24 de setembro a 16 de outubro de 2020, trouxe informações que ajudam no diagnóstico deste quadro. A sondagem apontou que 76% das vendas de máquinas e equipamentos no mercado doméstico ocorreram com recursos próprios – seja por parte de quem compra máquina ou capital de giro de quem vende a máquina – 17 p.p. das vendas são feitas com pagamento à vista. A utilização do Produto Finame encolheu, quase desapareceu, e esse quadro não decorre especificamente da crise da pandemia da Covid-19, é consequência, principalmente, do encarecimento das linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) depois da adoção da Taxa de Longo Prazo (TLP) em 2017. Os investidores se negam a financiar seus investimentos com altos juros (média de 11% a.a.) do BNDES. Com isso, a taxa de investimentos no Brasil fica entre 15% e 16% do PIB. Todos sabemos que essa taxa deveria estar entre 24% e 25% do PIB para que o país possa crescer a taxas acima de 3% a.a. de forma sustentável.

Para vender para o mercado externo, qual a necessidade do setor de máquinas e equipamentos?

Bens de capital são adquiridos como investimentos produtivos, o que implica custos elevados pelos compradores e dependem de linhas de financiamento com prazos mais extensos para amortização. O custo do financiamento de uma máquina é, portanto, atrelado ao seu preço e, como tal, constitui um diferencial de competitividade.

Por essa razão, a competitividade do setor é, em grande parte, determinada pela disponibilidade de crédito para investimentos a juros compatíveis com o retorno do investimento. No caso do mercado internacional, a competitividade depende ainda de que os juros das linhas de financiamento sejam competitivos, isto é, estejam em patamares semelhantes aos oferecidos pelos concorrentes internacionais. Em linha com o mencionado anteriormente, a difusão do acesso a crédito oficial e seguro de crédito às exportações ainda precisa ser amplificada. No atual cenário de indefinição sobre a reestruturação destes instrumentos de apoio às exportações e sobre a garantia de recursos no orçamento federal para esta finalidade, um percentual muito restrito de empresas exportadoras consegue realizar suas operações de comércio exterior sob o amparo deste sistema, o que não é justificável para o tamanho da nossa economia e pelo que se quer alcançar com a inserção do nosso país nas CGVs.

É premente a reforma do sistema de financiamento para que outras empresas possam acessar o mecanismo e atuar mais fortemente no mercado externo. Com relação ao seguro de crédito à exportação, é urgente ampliar o número de operações cobertas e criar mecanismos de atuação governamental nas áreas com limitada oferta do setor privado. Menos de 1% das exportações de máquinas e equipamentos conta com financiamentos.

7. A Abimaq desenvolve uma ação perene de promoção comercial às exportações de máquinas e equipamentos há mais de duas décadas, com o apoio da Apex.
Como as empresas do setor continuam exitosas nas vendas para o exterior, mesmo com tantas barreiras?

Nosso foco é totalmente direcionado para identificar os desafios que a indústria de máquinas e equipamentos encontra no processo de internacionalização. Há vinte anos, trabalhamos para fortalecer a imagem do país como fornecedor de tecnologia e soluções para a indústria, nossas máquinas e equipamentos possuem capacidade tecnológica e inovação compatíveis com as exigências do mercado mundial. Por meio do Programa Brazil Machinery Solutions (BMS) – resultado da parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) – a Abimaq tem fortalecido a indústria brasileira como um parceiro competitivo no exterior. Além do constante investimento na capacitação do empresário brasileiro para atuação no mercado externo, estamos presentes nas principais feiras internacionais, seja promovendo a exposição de marcas brasileiras, seja para a prospecção de oportunidades para o setor. Fruto dessa dedicação é a ampliação de empresas associadas que passaram a exportar; nos anos 2000 cerca de 15% eram exportadoras, atualmente 56% atuam no mercado internacional. Aproximadamente um terço do faturamento do setor é obtido por meio das exportações. Outro ponto a destacar é a assessoria e a defesa de interesses que a Abimaq realiza para que um maior número de empresas da nossa indústria possa estar presente no mercado internacional. Resultado dessa orientação, foi a criação, em 2015, da Campanha Esforço Exportador que busca desmistificar o comércio exterior e apoiar as empresas, por meio de parceiros diversos, em seu processo de internacionalização.

Sabemos que atuar em outros países não é uma tarefa simples, mas com o apoio da Associação e de outros parceiros, uma empresa pode garantir, entre outros ganhos, maior resultado financeiro e melhoria da sua imagem perante o mercado doméstico.

Qual a importância das feiras na promoção comercial do setor, e qual a conveniência com as feiras e encontros digitais, pós-pandemia?

As feiras internacionais ainda representam um dos mais importantes instrumentos de promoção comercial. Para as empresas que estão iniciando o processo de exportação, são uma excelente oportunidade não só para identificar potenciais clientes e distribuidores/representantes, como também para conhecer a realidade do mercado em que atua. Para as empresas com muita experiência, a feira representa um momento de avaliação e elaboração de novas estratégias. O panorama imposto pela pandemia da Covid-19 mudou repentinamente o modus operandi da indústria ligada aos eventos, a tecnologia é essencial para a atuação e a expansão das empresas no contexto nacional e internacional, onde os encontros digitais se tornaram a única opção segura de estar em contato com seus clientes. No entanto, os ambientes físico e virtual não são excludentes, mas sim complementares, e apresentam oportunidades que no futuro podem ser ampliadas. Até o momento não foi criado um modelo de feira digital com sucesso similar ao das feiras presenciais. As ferramentas disponíveis ainda têm pouca eficácia na busca por novos clientes.

Ter financiamento pré ou pós-embarque – é importante estar no pacote/produto/preço/qualidade na hora da negociação internacional?

Por se tratar de bens de investimento, a competitividade das operações do setor é estreitamente vinculada ao acesso de instrumentos de financiamento, o que também se aplica aos financiamentos pré e pós-embarque. O Executivo está, neste momento, discutindo a reforma do sistema de apoio às exportações, e temos sido muito vocais nessa discussão, não só pela importância que o sistema tem para apoiar as empresas que produzem bens seriados ou sob encomenda, de maior valor agregado, mas para adequar o mecanismo a uma maior concorrência encontrada no comércio exterior. Hoje, os países estão cada vez mais agressivos com suas políticas de apoio aos seus exportadores e o Brasil precisa se adequar rapidamente a esse campo para não ficar ainda mais para trás nas trocas comerciais – como todos sabem, atualmente, representamos 1,2% do comércio internacional, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (2018). O Brasil precisa aumentar seu fluxo de comércio e, para isso, são necessárias ferramentas para a inserção das empresas no comércio internacional.

E, oferecer assistência técnica é importante também ao cliente internacional? Há obstáculos para prestar esses serviços que poderiam ser eliminados ou simplificados?
Sem dúvida nenhuma, a assistência técnica é importante para o cliente internacional. Costumamos dizer que a relação fornecedor e cliente da indústria de máquinas é uma relação duradoura. É crucial que o seu funcionamento esteja em perfeita ordem, evitando prejuízos à produção e à produtividade de uma indústria. O obstáculo para a assistência técnica internacional está na agilidade da prestação do serviço, seja para um atendimento preventivo ou na venda de peças de reposição. Por isso, é essencial que as empresas invistam na capacitação de representantes e distribuidores locais, assim a distância deixa de ser uma barreira no relacionamento.

8. Em relação aos serviços, como o setor vem incorporando o processo de servitização (servitization) em curso no mundo?

A servitização não é uma novidade, o oferecimento de serviços atrelados aos seus produtos é uma tendência já de algum tempo, que visa melhorar a competitividade e atender as expectativas dos clientes. Com o aparecimento de novas tecnologias digitais ligadas à quarta revolução industrial vários serviços, que antes eram extremamente custosos, foram viabilizados a custos competitivos. Tecnologias, tais como sensoriamento remoto de máquinas e telemetria, internet das coisas, sistemas de simulação e comissionamento virtual, computação em nuvem, realidade aumentada, big data, analytics e machine learning, inteligência artificial e integração de sistemas permitiram a introdução de novos serviços, agregados ou não à venda de máquinas e equipamentos. Serviços como a incorporação de análises preditivas de manutenção, a garantia de performance das máquinas e ações de melhoria a partir dos dados coletados, até a locação e operação remota de uma máquina. O serviço de comissionamento de uma linha de produção, que antes era realizada na hora da implementação, agora pode ser simulado e todas as máquinas e programas ajustados antes da entrega. O rastreamento de produtos agora ficou muito mais fácil com a aplicação de soluções em Blockchain. Os serviços de treinamento em operação e manutenção de máquinas também tem sido facilitado com as ferramentas de realidade aumentada.

Enfim, são diversas possibilidades de agregação de valor pela incorporação de serviços que as empresas estão implementando e incorporando em suas estratégias de negócios, dada a correlação positiva entre o fornecimento de serviços complementares e a melhoria de desempenho financeiro e operacional.

9. Em relação ao mercado internacional pós-covid, quais mercados sofrerão mais para se recuperarem?

A crise da pandemia de Covid-19 teve impactos severos em todos os mercados em função da redução da demanda global, do aumento dos custos de frete, com os efeitos da desagregação de cadeias de valor, e nos custos de produção. Muitas das discussões estabelecidas sobre as estratégias de retomada do crescimento e da contenção dos efeitos negativos da crise no comércio giram em torno da reavaliação dos modelos econômicos estabelecidos, especialmente em relação à produção internacional de bens. As estimativas sobre a recuperação esperada para 2021 ainda são incertas e a capacidade de retomada da atividade econômica dos países depende da eficácia das respostas dos governos na contenção da pandemia. Como já é esperado, a demanda externa ocupará uma posição de centralidade na retomada da atividade econômica para todos os países.

10. Para ganharmos mais mercados, o que deveria mudar em termos de políticas públicas?

Para que nossa participação no comércio global seja expandida, as políticas públicas do país devem ter foco, em primeiro lugar, na eliminação dos fatores estruturais que compõem o Custo Brasil. Em paralelo, são necessárias políticas de difusão da cultura exportadora entre as empresas, sobretudo, entre as pequenas e médias. Para isso, é urgente aumentar a eficiência e eficácia do apoio ao processo de internacionalização das empresas brasileiras, fornecedoras de bens e serviços, por meio de uma reorganização dos serviços de suporte às exportadoras.

11. Dadas a tradição e a história de mais de oitenta anos da Abimaq, quais as diretrizes estratégicas e ações que serão fundamentais para os próximos anos?

Em vista da ênfase conferida pelo atual governo à agenda de liberalização comercial, a Abimaq entende como fundamental para os próximos anos o acompanhamento das ações voltadas à revisão tarifária por meio da reforma da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e pelas frentes negociadoras em curso.

Defendemos que a abertura comercial seja realizada de forma transversal, gradual e sincronizada com reformas para mitigar os fatores que compõem o Custo Brasil, como a alta carga tributária e o elevado custo de juros sobre o capital. A condução da abertura tarifária equânime, equilibrada e sustentável deve também obedecer a uma lógica de escalada tarifária, em que os insumos teriam tarifas menores que os bens finais, e de horizontalidade. São alvo de especial preocupação do setor as tratativas para a assinatura de acordos comerciais com países asiáticos. Nossa posição é que os acordos comerciais devem também considerar os interesses da indústria, além da agricultura e serviços, e o processo negociador deve obedecer a uma governança para que o setor produtivo e a sociedade em geral possam compreender as oportunidades e os desafios dessas agendas. Para isso, faz-se necessário, entre outros elementos, a elaboração de estudos de impacto e viabilidade, consultas públicas aos agentes econômicos para identificação de interesses ofensivos e defensivos. Por seu potencial de promover ganhos de competitividade ao setor, os setores público e privado devem focar em ações de facilitação de comércio, como a redução de custos operacionais e logísticos do comércio exterior.

Fonte: Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – Funcex

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03 - Os desafios da agricultura do futuro


João Marchesan*

Estamos vivendo um novo momento da agricultura com as máquinas agrícolas se modernizando cada vez mais, ou seja, com máquinas autônomas que serão totalmente movidas a energia elétrica em um futuro bem próximo, construindo assim para diminuição da poluição.

Além das máquinas, nós temos muito mais tecnologia de todos os implementos para o preparo do solo a fim de que o agricultor tenha mais economicidade, eficiência, produtividade na distribuição dos fertilizantes e na deposição das sementes. Tudo isso aliado a uma agricultura de precisão que tem feito a diferença dentro daquilo que nós chamamos de agricultura 4.0 e a quarta revolução agrícola.

Essas tecnologias mudam a forma de como encaramos o processo de produção, abrindo novos mercados e gerando melhores produtos e oportunidades. Isso explica boa parte dos bons resultados colhidos pelo agronegócio brasileiro.

Além disso, a evolução 4.0 pressupõe vários benefícios entre eles os financeiros e esta é a alavanca que deve acelerar a adoção das novas tecnologias. Esta revolução propicia gestão de grande volume de dados e desenvolvimento de sistemas de informação de apoio à tomada de decisão, e também máquinas cada vez mais flexíveis, adaptáveis, autônomas e inteligentes, com leitura ambiental em tempo real e respostas imediatas. Tudo isto irá melhorar a eficiência dos processos, nas dimensões mecânica/eletrônica, agronômica e financeira, resultando em ganhos de produtividade e melhoria nos aspectos de sustentabilidade no campo.

Apesar desse progresso, nós temos que entender que hoje no Brasil tem aproximadamente um 1,2 milhão de máquinas agrícolas e metade delas têm mais de 10 anos de idade e isso implica dizer que nós precisamos renovar o nosso parque o mais rápido possível. O agricultor hoje com mais renda, com condições de financiamentos que necessita pode modernizar esse parque o mais rápido possível para dar uma evolução tecnológica do que eles precisam.

Outro aspecto que impacta o avanço do agro 4.0 é a questão da conectividade no campo que é ainda o grande gargalo e pode ser solucionado com a liberação de redes Rede LPWAN (LoRa , SigFox, Ingenu, NB-IoT, LTE-M ), satélites, ampliadores de sinal e banda de 450 mhz e a implementação de faixas privadas de 5G.

A falta de acesso à internet é uma restrição ao processo de envio de dados para nuvens. Mesmo o agricultor podendo armazenar os dados nas próprias máquinas e depois descarregar nos pontos de internet nas sedes das fazendas, porém ao optar por essa alternativa o produtor perde o benefício dos dados online em tempo real.

Para se ter uma ideia dessa realidade, o Censo Agropecuário de 2017, elaborado pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o Brasil tem 5,07 milhões de estabelecimentos rurais e 71,8% desses não têm acesso à internet (3,64 milhões de propriedades). Já estudo do AgroHUB mostrou que apenas 14% das propriedades rurais têm alguma cobertura para internet. Então fica o desafio para todos nós de como ampliar a conectividade no campo.

Outro grande desafio na modernização no campo para o uso adequado destas tecnologias é a capacitação ou educação na utilização de todas as ferramentas que estão disponíveis para os produtores. Esta capacitação é necessária em várias frentes, iniciando pelo gestor ou proprietário da fazenda que deve ter conhecimento das inovações e disposição para aplicá-la na propriedade. Os operadores de máquinas é outra frente que deve ser capacitada, e principalmente, os técnicos das ciências agronômicas que terão pela frente a análise dos dados gerados.

Para a indústria de máquinas agrícolas, mas especificamente, também há um grande desafio de levar estas tecnologias de ponta que estão muito concentradas nas grandes máquinas, para máquinas médias e pequenas e proporcionar ao pequeno e médio agricultor o uso destas novas tecnologias. O desafio é adaptar os softwares a custo competitivo para pequenas propriedades.

Com a digitalização nunca mais veremos o campo da mesma maneira. A transição 4.0 será gradual, e a velocidade de implantação vai depender não apenas da tecnologia, mas também de fatores econômicos e estratégicos de cada país e de cada organização, como custo brasil, educação e infraestrutura digital. O Brasil pode aproveitar essa oportunidade e pode liderar essa nova onda tecnológica, depende de nós.

*João Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ –Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

Fonte: Amazonas Notícias, Sucesso no Campo

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Comércio Internacional

01 - Dólar opera em queda com exterior e cena política no radar


O dólar opera em queda nesta quinta-feira (8), negociado perto de R$ 5,60, devolvendo a alta da véspera, em cenário de maior otimismo global após o banco central dos Estados Unidos reforçar expectativas de manutenção de farta liquidez, o que beneficia países emergentes como o Brasil.

Às 10h03, a moeda norte-americana caía 0,76%, cotada a R$ 5,5978. Veja mais cotações.

Na quarta-feira, o dólar fechou em alta de 0,74%, a R$ 5,6404. Na parcial do mês, acumula alta de 0,23%. No ano, o avanço é de 8,74%.

Cenário

No exterior, os investidores aguardam a divulgação de novos dados de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, enquanto a sinalização de que o Federal Reserve (Fede, o banco central dos EUA) não tem pressa para apertar a sua política monetária sustentava o clima de maior otimismo.

Na cena doméstica, as atenções seguem voltadas para as preocupações torno da saúde das contas públicas, do ritmo da vacinação contra o coronavírus e de declarações do presidente Jair Bolsonaro entendidas como ameaça de intervenção na Petrobras.

O BTG Pactual, por exemplo, informou que aumentou a sua projeção para a taxa de câmbio para R$ 5,40 no final de 2021 e para R$ 5,60 em 2022, citando maior risco fiscal e agravamento da pandemia.

Bolsonaro afirmou nesta quarta que o aumento do preço do gás anunciado pela Petrobras nesta semana, de 39%, é "inadmissível" e, apesar de dizer que não irá interferir na estatal, afirmou que a política de preços da empresa pode mudar. Na noite, jantou com 25 empresários em São Paulo e ouviu cobrança por reformas estruturais.

A Petrobras informou em nota que indagou o seu acionista controlador, por meio do Ministério de Minas e Energia, sobre a existência de informações relevantes que deveriam ser divulgadas ao mercado em razão das declarações de Bolsonaro e que "até o momento, a companhia não recebeu resposta do MME".

Na agenda de indicadores, o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getulio Vargas caiu pelo terceiro mês seguido, atingindo o menor nível desde agosto de 2020. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a produção industrial registrou queda em 10 das 15 regiões pesquisadas na passagem de janeiro para fevereiro.

Apesar das incertezas políticas e econômicas, alguns gestores têm considerado os preços do dólar esticados, o que aumenta as chances de alguma correção, especialmente num momento de perspectiva de elevação da taxa básica de juros no país.

Fonte: G1

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Conjuntura

01 - Governo prevê lançar edital de Viracopos no fim do ano e projeta novo leilão até março de 2022


O governo federal pretende lançar o edital da nova licitação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), até o fim do ano e informou que prevê realizar o leilão do terminal no 1º trimestre de 2022.

Primeiro, o Ministério da Infraestrutura projetava que a concorrência poderia ser realizada ainda em 2021, mas atrasos na entrega dos estudos de viabilidade e burocracias no processo forçaram a União a planejar uma nova data.

Foi a primeira vez que o governo deu uma previsão de qual período do ano que vem deve realizar o leilão. Anteriormente, a confirmação era apenas de que seria em 2022. O Ministério da Infraestrutura informou ao G1 que a relicitação de Viracopos "está avançando" e que os estudos técnicos serão entregues em abril, depois de pelo menos três adiamentos. O novo prazo para o envio dos documentos, essenciais no andamento do processo, termina no dia 12 de abril.

A Aeroportos Brasil Viracopos, que administra a estrutura, informou, em nota, que cumpriu todas as regras para a relicitação e se apega a uma arbitragem, ou seja, uma medida extrajudicial independente para definir regras sobre quem pagará as indenizações pelos investimentos realizados, além de descumprimentos de contrato. O vínculo de concessão, assinado em 2012, tinha duração de 30 anos. Veja abaixo a nota da concessionária:

"A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S.A. informa que cumpriu com o que estava acordado no Plano de Recuperação Judicial e quitou todos os débitos com os credores conforme previsto. Cumpriu também em realizar o pedido de relicitação e já assinou o correspondente Termo Aditivo ao contrato de concessão. Além disso, deu início, no mês passado, em comum acordo com a ANAC, a um processo de Arbitragem em que serão decididas todas as disputas existentes desde o início da concessão, entre elas, a da indenização devida a concessionária pela entrega de apenas 20% da área da União conforme previsto no edital. A concessionária ABV deve ser indenizada também pelos investimentos realizados e ainda não depreciados e a indenização deve ocorrer antes de que eventual novo operador venha assumir o aeroporto".

Atrasos

O terceiro adiamento da entrega dos trabalhos estudos técnicos de viabilidade aconteceu em dezembro, quando o governo federal alegou atraso do concessionário. Antes, a data final para protocolar os estudos era em janeiro. Na ocasião, foi dado prazo de mais 90 dias, que também não foi cumprido, já que a nova previsão é no dia 12 de abril.

As duas prorrogações anteriores aconteceram em setembro, quando o motivo foi aguardar a assinatura do termo aditivo entre a concessionária que administra o terminal e a Agência Nacional de Aviação Civil, e em maio, por conta da pandemia do novo coronavírus.

A relicitação de Viracopos é a esperança a concessionária da Aeroportos Brasil, que administra a estrutura, para solucionar a crise econômica, que gerou uma dívida de R$ 2,88 bilhões. O empreendimento é o primeiro do Brasil a devolver a concessão.

Passo a passo dos estudos

Quatro consórcios foram autorizados a fazer os estudos e vão submeter os trabalhos à aprovação do governo federal, que vai escolher um dos trabalhos como referência para elaborar o edital. Parte dos grupos já havia sido selecionada para realizar as análises da sexta rodada da licitação dos 22 aeroportos do Brasil, leiloados na quarta-feira (7) e que garantiu ao governo federal uma arrecadação inicial de R$ 3,302 bilhões.

Depois de aprovado pelo governo federal, o estudo escolhido passará por alguma etapas até a inclusão no edital. São elas:

Governo federal sugere ajustes;
Estudo vai para consulta pública com prazo de 45 dias e pode passar por novos ajustes;
Análise vai para o Tribunal de Contas da União (TCU);
TCU tem de 60 a 90 dias para aprovar;
Edital é publicado;
Recuperação judicial encerrada
A Justiça decretou, no dia 10 de dezembro, o encerramento do processo de recuperação judicial de Viracopos. A decisão foi assinada pela juíza Bruna Marchese e Silva, da 8ª Vara Cível do município, responsável pelo processo desde o seu início, em maio de 2018. A sentença também é uma condição obrigatória para o andamento da relicitação do terminal.

Veja o passo a passo da relicitação

Na decisão, a magistrada afirma que a concessionária cumpriu com todas as obrigações previstas no processo de recuperação judicial, como o pagamento de dívidas trabalhistas, além de fornecedores e credores. As únicas pendências que ficaram em aberto, diz o texto, são os débitos com a Anac, que serão encerrados no âmbito da relicitação, e com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com créditos adiados para outubro de 2023.

O termo aditivo de contrato de licitação, outra etapa prevista para a devolução do aeroporto, foi assinado entre a Aeroportos Brasil e a Anac no dia 15 de outubro. No documento, havia prazo de 60 dias para que a recuperação judicial do terminal fosse encerrada e a relicitação de Viracopos tivesse andamento.

Entenda a crise de Viracopos

Veja o passo a passo da relicitação

No dia 14 de fevereiro, o Aeroporto de Viracopos obteve a aprovação do plano de recuperação judicial para resolver a crise financeira do complexo. O resultado marcou o fim de um impasse de pelo menos dois anos para sanar a dívida e abriu caminho para o terminal iniciar o processo de devolução.
A relicitação

O último plano de recuperação judicial do aeroporto foi protocolado à Justiça no dia 12 de dezembro. Desta data até o dia da aprovação, em fevereiro, Viracopos e os principais credores, entre eles a Anac e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), se reuniram para tentar chegar a um acordo e definiram que a proposta seria votada na assembleia desde que Viracopos aceitasse a relicitação.

No entanto, segundo a Aeroportos Brasil, a relicitação só teria continuidade se houvesse uma definição sobre quem vai pagar as indenizações por conta dos valores investidos desde o início da privatização e que não foram amortizados.

Por conta do impasse, Viracopos propôs no novo plano recorrer ao decreto de arbitragem. Agora, será possível definir qual é a obrigação de cada parte envolvida no processo de devolução da concessão.

A concessionária já havia sinalizado a intenção de devolver a concessão em julho de 2017, mas emperrou na lei 13.448/2017, que regulamenta as relicitações de concessões aeroportuárias, ferroviárias e rodoviários do Brasil e só teve o decreto publicado em agosto de 2019.

A crise de Viracopos e os pedidos de reequilíbrios

A crise de Viracopos se agravou na metade de 2017, quando manifestou o interesse da relicitação, mas, por conta da não regulamentação da lei, apostou na recuperação judicial para solucionar a crise. A Aeroportos Brasil protocolou o pedido em 7 de maio de 2018 na 8ª Vara Cível de Campinas. Viracopos foi o primeiro aeroporto do Brasil a pedir recuperação.

Em janeiro de 2019, o governo federal publicou, no Diário Oficial da União, o edital de chamamento para que empresas manifestem interesse e façam estudos de viabilidade para a nova licitação do aeroporto. À época, de acordo com o Executivo, o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) era apenas um "plano B" caso o terminal não encontrasse uma solução para a dívida e precisasse relicitar a concessão, o que de fato aconteceu.

O aeroporto briga ainda por reequilíbrios no contrato de concessão por parte da Anac. De acordo com a concessionária, a agência descumpriu itens que contribuíram para a perda de receita da estrutura.

Entre os pedidos de Viracopos, estão o valor de reposição das cargas em perdimento - que entram no terminal e ficam paradas por algum motivo -, além da desapropriação de áreas para construção de empreendimentos imobiliários e um desacordo no preço da tarifa teca-teca, que é a valorização de cargas internacionais que chegam no aeroporto e vão para outros terminais.

A Infraero detém 49% das ações de Viracopos. Os outros 51% são divididos entre a UTC Participações (48,12%), Triunfo Participações (48,12%) e Egis (3,76%), que formam a concessionária. Os investimentos realizados pela Infraero correspondem a R$ 777,3 milhões.

Fonte: G1

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Industria

01 - Produção industrial tem queda em 10 das 15 regiões pesquisadas em fevereiro, aponta IBGE


A produção industrial registrou queda, na passagem de janeiro para fevereiro, em 10 das 15 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo e Mato Grosso apresentaram crescimento. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8).
No resultado geral do país, a indústria teve queda de 0,7% em fevereiro, interrompendo uma sequência de nove altas consecutivas.

De acordo com o IBGE, o resultado negativo da indústria nacional foi puxado, principalmente, pelo baixo desempenho de São Paulo, maior parque industrial do país, que registrou recuo de -1,3% em fevereiro, "em razão de reduções na produção da indústria alimentícia e na de derivados de petróleo".

"A industria paulista tem cerca de 34% da concentração e a indústria de alimentos dentro de São Paulo compõe, aproximadamente, 14,8% de toda a produção industrial local", enfatizou o gerente da pesquisa, Bernardo Almeida.

A segunda maior influência negativa, segundo o IBGE, partiu do Pará, que teve queda de 7,4% no mês devido, sobretudo, à indústria extrativa.

Dentre os cinco locais que registraram crescimento na passagem de janeiro para fevereiro, o principal destaque ficou com o Rio de Janeiro, com 1,9% de alta na produção, a quarta taxa positiva seguida do estado. O resultado foi puxado, sobretudo, pelos setores de metalurgia e de veículos automotores.

“Nesses quatro meses de alta da indústria fluminense, o ganho acumulado foi de 5,4%”, apontou Almeida. O crescimento no mês foi influenciado pelo setor de metalurgia e de veículos automotores.

A segunda maior influência positiva sobre o resultado nacional partiu de Mato Grosso, que teve a maior taxa de crescimento em termos absolutos, de 7,3%. Segundo o IBGE, partiu do setor de alimentos o bom desempenho da indústria mato-grossense.

Na comparação interanual, 10 locais também tiveram queda

Na comparação com fevereiro de 2020, também foram registradas quedas em 10 das 15 regiões pesquisadas pelo IBGE. Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná foram as cinco regiões com alta na produção.

Veja o resultado de cada um dos locais pesquisados na comparação com fevereiro de 2020:

Santa Catarina: 8,1%
Rio Grande do Sul: 7,9%
Minas Gerais: 5,8%
São Paulo: 4,4%
Paraná: 3,1%
Ceará: -0,5%
Pernambuco: -1,5%
Mato Grosso: -3,8%
Rio de Janeiro: -3,9%
Goiás: -7,7%
Região Nordeste: -9,7%
Amazonas: -9,9%
Espírito Santo: -10,1%
Pará: -11,4%
Bahia: -20,9%

Nesta base de comparação, São Paulo se destacou como a principal influência positiva sobre a industria nacional, que avançou 0,4%.

A indústria paulista teve crescimento de 4,4% em relação a fevereiro do ano passado, impulsionada pelos setores de derivados de petróleo e de máquinas e equipamentos.

“Vale salientar que das 18 atividades pesquisadas na indústria paulista, 12 cresceram na comparação de fevereiro de 2021 com o mesmo mês do ano passado”, destacou o gerente da pesquisa.

Já a segunda maior influência positiva partiu do Rio Grande do Sul, que teve alta de 7,9% devido ao bom desempenho do setor de máquinas e equipamentos, sobretudo com a produção de colheitadeiras e tratores agrícolas.

Do lado negativo, a principal influência foi a da Bahia, que teve queda de 20,9%, a mais intensa para a indústria baiana desde maio de 2020, quando registrou -21,4%.
“A queda da produção de veículos e autopeças explica em grande parte esse resultado, justificado pela saída de uma montadora de automóveis da Bahia”, pontuou Bernardo.

Já a segunda influência negativa foi novamente a indústria do Pará (-11,4%), impactada pela queda na produção de minérios de ferro.

Oito dos 15 locais acumulam alta no ano

No acumulado dos dois primeiros meses do ano, frente a igual período de 2020, oito dos 15 locais pesquisados registraram crescimento. Os principais destaques ficaram com Santa Catarina (9,5%), Rio Grande do Sul (8,4%), Minas Gerais (7,8%) e Paraná (7,1%).

São Paulo (5,0%), Ceará (4,9%) e Pernambuco (3,2%) também registraram taxas positivas acima da média nacional (1,3%), enquanto Pará (1,0%) completou o conjunto de locais com altas acumuladas no ano.

Dentre os sete locais com queda na produção, o pior desempenho ficou com a Bahia (-18,0%), também como reflexo do fechamento de uma montadora de veículos no estado, que impactou as atividades de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Amazonas (-9,8%), Espírito Santo (-9,3%), Mato Grosso (-9,0%), Goiás (-9,0%), Região Nordeste (-6,6%) e Rio de Janeiro (-4,5%) também caíram no indicador acumulado nos dois primeiros meses do ano.

No acumulado em 12 meses, 13 dos 15 locais têm recuo

Já no acumulado dos últimos 12 meses, indicador que para a indústria nacional teve queda de -4,2%, 13 dos 15 locais pesquisados tiveram taxas negativas em fevereiro de 2021, mas em quatro deles os recuos foram menos intensos que o observado em janeiro.

Minas Gerais (de -1,3% para -0,5%), São Paulo (de -5,7% para -5,1%), Rio Grande do Sul (de -4,8% para -4,3%) e Santa Catarina (de -3,6% para -3,1%) mostraram os avanços entre janeiro e fevereiro de 2021.

Já Bahia (de -7,2% para -9,4%), Pará (de 1,5% para 0,1%), Região Nordeste (de -3,8% para -5,2%), Pernambuco (de 4,0% para 3,0%), Rio de Janeiro (de -1,1% para -2,1%), Espírito Santo (de -13,5% para -14,1%) e Amazonas (de -6,7% para -7,3%) registraram as perdas mais elevadas entre os dois períodos.

Fonte: G1

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Setor

01 - Petrobras questiona Ministério de Minas e Energia sobre declarações de Bolsonaro sobre aumento do gás


A Petrobras informou que enviou questionamentos ao governo sobre declaração do presidente Jair Bolsonaro, que disse na quarta-feira (7) que um reajuste de 39% praticado pela estatal no preço do gás natural para distribuidoras é "inadmissível" e que poderia haver mudanças na política de preços da companhia.

"A Petrobras... informa que indagou o seu acionista controlador, por meio do Ministério de Minas e Energia, ao qual a companhia está vinculada, de acordo com a Lei 9.478/1997, sobre a existência de informações relevantes que deveriam ser divulgadas ao mercado", afirmou, em comunicado ao mercado na noite de quarta-feira.

"Até o momento, a companhia não recebeu resposta do MME", acrescentou a Petrobras no comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em suas declarações, durante discurso em Foz do Iguaçu (PR), Bolsonaro lançou dúvidas sobre os contratos de fornecimento de gás da Petrobras devido a reajuste anunciado para a partir de 1° de maio.

"É inadmissível! Que contratos são esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil?", afirmou o presidente da República.

"Não vou interferir, a imprensa vai dizer o contrário. Mas podemos mudar essa política de preço lá", acrescentou ele.

Recentemente, Bolsonaro decidiu retirar Roberto Castello Branco do cargo de presidente-executivo da Petrobras em meio a divergências sobre a política de preços de combustíveis adotadas pela estatal. Ele indicou à posição o general da reserva Joaquim Silva a Luna, que ocupava a diretoria-geral brasileira de Itaipu Binacional.


Fonte: G1

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